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As Origens do Vinho do Porto


Tudo começa no Vale do Douro, a mais antiga região vinícola protegida e regulamentada do mundo.

Muito antes de Champagne ter suas bolhas protegidas ou Bordeaux ter seus vinhedos classificados, as encostas acidentadas e ensolaradas do Vale do Douro, em Portugal, foram oficialmente demarcadas. Em 1756, pelas mãos do poderoso Marquês de Pombal, esta região tornou-se a mais antiga região vinícola protegida e demarcada do mundo.

Mas como tudo começou?

 

A Oportunidade: França x Inglaterra.

A série de conflitos entre a França e a Inglaterra no século XVII alterou fundamentalmente o curso da história do vinho e acidentalmente deu origem ao Vinho do Porto.

De fato, durante séculos, o vinho preferido da Inglaterra foi o Claret — o vinho tinto leve e seco de Bordeaux, na França. O comércio era robusto e profundamente enraizado.

Quando a guerra eclodiu entre a Inglaterra e a França, ela não foi travada apenas em campos de batalha. Foi travada com embargos comerciais e guerra econômica. O governo inglês, liderado por ministros que queriam prejudicar a economia francesa, impôs tarifas pesadas e, por fim, proibiu totalmente a importação de produtos franceses, incluindo vinho.

Da noite para o dia, a principal fonte de lucro do comerciante de vinhos inglês secou. Mas a demanda inglesa por vinho certamente não. Eles foram forçados a encontrar uma alternativa — e rapidamente.

Com a França fora de questão, os mercadores ingleses voltaram-se para o sul, para Portugal, um aliado político e militar de longa data. Eles já comercializavam vinhos da Região do Minho com o país. No entanto, esses vinhos mal conseguiam suportar a viagem de volta à ilha.

Em determinado momento, voltaram sua atenção para os vinhos provenientes do Vale do Douro, que eram estáveis o suficiente para suportar as várias semanas no navio. Além disso, nesses vinhos, era comum usar aguardente vínica para aumentar o teor alcoólico e, assim, torná-los ainda mais estáveis para a longa viagem. Na época, essa era uma medida prática de preservação.

 


O Problema: Uma Crise de Falsificações

Em meados do século XVIII, o vinho do Porto já era um sucesso internacional estrondoso, especialmente popular na Inglaterra. Mas com a grande popularidade, vinham grandes oportunidades — para fraudes. Comerciantes inescrupulosos compravam vinho barato e de qualidade inferior de outras regiões, tingiam-no com suco de sabugueiro e adicionavam um pouco de conhaque antes de colocar o rótulo "Porto" e despachá-lo.

A reputação do autêntico vinho do Porto português estava em declínio. Algo precisava ser feito para salvar a indústria do colapso.

 


A Solução: O Golpe de Mestre do Marquês de Pombal

Entra Sebastião José de Carvalho e Melo, o formidável Marquês de Pombal. Como primeiro-ministro, ele tomou medidas drásticas e revolucionárias.

  1. A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro Vinhateiro: Em 1756, criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Este órgão tinha o poder de traçar uma fronteira literal – demarcar – a região exacta onde o verdadeiro vinho do Porto poderia ser produzido.

  2. A Demarcação Geográfica: Para tornar a fronteira física, 335 pilares de granito (marcos pombalinos) foram esculpidos e colocados ao longo das fronteiras da região. Muitos desses marcos históricos ainda existem hoje, sentinelas silenciosas que guardam o legado do Porto.

  3. Controle da Produção: A classificação primária das vinhas começa em 1757 com a regulamentação das propriedades que podiam produzir os vinhos de feitoria, considerados os melhores e destinados à exportação. Os demais vinhos de ramo só podiam ser consumidos em Portugal.

  4. Regulamentação do Comércio: Tanto a quantidade quanto os preços dos vinhos eram regulamentados. Preços mínimos para as uvas também foram estabelecidos para que o comércio finalmente encontrasse um equilíbrio.

O Marquês de Pombal enfrentou enorme resistência tanto de produtores quanto de comerciantes. No entanto, o resultado positivo nos negócios foi quase imediato.


E assim nasceu o Vinho do Porto, a Denominação de Origem Mais Antiga do Mundo...

 

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